Na Black Friday de 2023, o Fernando Baldino tinha um desafio bem específico. Ele queria fazer uma promoção especial do curso vitalício dele, mas com preços diferentes para públicos diferentes. Para quem nunca tinha comprado nada com ele, o valor era R$ 1.997. Mas para quem já era aluno da plataforma DeliveryPro, o preço caía para R$ 997 – quase metade do preço!
O problema é óbvio: como evitar que pessoas mal-intencionadas se passassem por alunos só para pegar o desconto? Era um lançamento meteórico, com tráfego pago pesado, então qualquer problema operacional poderia virar uma dor de cabeça gigante e prejudicar toda a campanha.
A questão era: como fazer essa verificação sem criar fricção no processo de compra? Ninguém quer preencher formulários enormes ou passar por burocracias na hora de comprar, principalmente numa Black Friday onde a urgência é alta.
A Solução (Que Foi Genial)
A solução foi tão simples que quase não acreditamos que ia funcionar. Criamos uma página específica: verificacao.fernandobaldino.com.br com apenas dois elementos:
Primeiro: Dois botões bem claros – “Não Sou Aluno” e “Já Sou Aluno”. Simples assim.
Segundo: Um aviso bem direto embaixo dos botões que dizia: “Lembrando: se for identificado posteriormente que você não é aluno ou que há pendências, estaremos no direito de revogar sua assinatura!”
Pronto. Era só isso.
Por Que Essa Abordagem Era Diferente
A ideia por trás era trabalhar com três princípios psicológicos. Primeiro, a transparência total – não escondemos nada, falamos claramente que ia haver verificação depois. Segundo, colocamos a responsabilidade na mão da própria pessoa – ela que tinha que decidir conscientemente se era aluna ou não. E terceiro, criamos um senso real de exclusividade, fazendo com que ser “aluno” fosse visto como um status diferenciado.
O que mais me impressiona até hoje é que essa abordagem transformou a honestidade das pessoas em um filtro natural. Em vez de tentar “pegar” quem estava mentindo, a gente criou um ambiente onde mentir simplesmente não compensava.
Os Resultados (Que Nos Surpreenderam)
Aqui vem a parte que ainda me dá orgulho só de pensar: 100% de eficácia. Isso mesmo, cem por cento. Zero tentativas de fraude. Nenhuma pessoa tentou se passar por aluna para pegar o desconto indevido.
Quando fizemos a verificação manual depois (que era parte do processo), descobrimos que literalmente todo mundo que clicou em “Já Sou Aluno” era realmente aluno. Não teve uma única exceção.
Do ponto de vista operacional, isso significou várias coisas importantes. Não precisamos gastar tempo nem dinheiro desenvolvendo sistemas complexos de verificação automática. O processo foi super ágil – cada pessoa levava segundos para passar pela verificação. E o mais importante: funcionou perfeitamente mesmo com o alto volume de tráfego do lançamento.
Basicamente, a solução mais simples possível nos deu a proteção mais eficaz possível. Foi um daqueles momentos em que você percebe que às vezes menos é realmente mais.
Por Que Funcionou Tão Bem?
Analisando depois, conseguimos identificar alguns fatores que fizeram essa estratégia ser tão eficaz.
O timing foi perfeito. Black Friday é um período onde as pessoas estão em modo “compra urgente”. Elas querem resolver rápido e seguir em frente. Criar obstáculos ou tentar “burlar” sistemas não está na prioridade de quem realmente quer comprar.
A comunicação foi direta demais para ser ignorada. Não tinha como alguém dizer que não viu o aviso ou que não entendeu as consequências. Era impossível passar batido por aquela mensagem.
O design da experiência também ajudou muito. Era uma decisão binária simples – você é aluno ou não é. Não tinha meio termo, não tinha “depende”, não tinha como se confundir. E o fluxo era rápido: dois cliques e pronto.
Mas o que eu acho mais interessante é a psicologia por trás. Quando você pergunta diretamente para alguém se ela é honesta ou não, a tendência natural é ser honesta. É como se a própria pergunta ativasse um “modo ético” na pessoa. Além disso, o medo de perder a compra depois (por causa da verificação posterior) criou uma barreira psicológica que funcionou melhor que qualquer sistema tecnológico.
Como Implementamos
A parte técnica foi ridiculamente simples. Uma página com dois botões que redirecionavam para checkouts diferentes – um com o preço de R$ 1.997 e outro com R$ 997, ambos com opções diferentes de pagamento e de financiamento no boleto. Cada pessoa que escolhia a opção “aluno” entrava numa lista para verificação manual posterior.
O fluxo ficou assim: a pessoa chegava na página, escolhia uma das duas opções, lia o aviso (impossível não ler, estava bem destacado), clicava no botão correspondente e ia direto para o checkout. Depois da compra, nossa equipe verificava manualmente se quem comprou com desconto era realmente aluno.
Simples, direto e eficaz.
O Que Aprendemos
Esse case me ensinou algumas lições que carrego até hoje.
A primeira é que simplicidade quase sempre ganha de complexidade. A gente vive em um mundo onde achamos que precisa ser complicado para ser bom, mas esse caso provou o contrário. A solução mais simples possível gerou o melhor resultado possível.
A segunda é sobre o poder da transparência. Em vez de tentar “esconder” a verificação ou criar sistemas elaborados para “pegar” quem estava mentindo, a gente simplesmente falou a verdade: “vamos verificar depois, e se você estiver mentindo, vai perder a compra”. Essa honestidade criou um ambiente onde as pessoas também foram honestas.
A terceira lição é sobre timing. Não adianta ter uma estratégia perfeita se o momento não for o certo. A Black Friday criou um contexto de urgência onde as pessoas estavam focadas em comprar, não em tentar “hackear” o sistema.
E a última lição, que talvez seja a mais importante: às vezes a melhor tecnologia é não usar tecnologia nenhuma. Investimos zero em sistemas complexos, zero em automações elaboradas, zero em verificações tecnológicas. E mesmo assim tivemos 100% de eficácia.
Essa estratégia pode funcionar em várias situações onde você precisa diferenciar públicos ou verificar elegibilidade para ofertas especiais.
O importante é sempre combinar três elementos: pergunta direta, aviso claro sobre verificação posterior, e consequência real para quem mentir. Essa combinação cria uma “barreira da honestidade” que é mais eficaz que muitos sistemas tecnológicos.
Conclusão
Este case demonstra que soluções simples e bem pensadas podem superar sistemas complexos quando aplicadas no contexto e timing corretos.
A combinação de:
- Design simples
- Comunicação clara
- Psicologia comportamental
- Timing estratégico
Resultou em uma solução com 100% de eficácia que protegeu a operação e manteve a integridade da oferta, provando que nem sempre é necessário investir em tecnologias complexas para resolver problemas de negócio.
| Aspecto | Resultado |
|---|---|
| Investimento | Mínimo (página simples + verificação manual) |
| Retorno | Máximo (proteção total da operação + zero problemas) |
| Eficácia | 100% |
Este case exemplifica como a aplicação inteligente de princípios de UX/UI e psicologia comportamental pode gerar resultados extraordinários com recursos mínimos.
Ferramentas utilizadas:
- WordPress: CMS e gerenciador de conteúdos
- Forminator: Plugin de construção de formulários
- Elementor: Construtor de Páginas
- Hotmart: Processador de pagamentos
- Principia: Financiamento de boletos